sexta-feira, 18 de novembro de 2016

quarta-feira, 1 de junho de 2016

#Hipnose A CONQUISTA DE SI MESMO

Como terapeuta acredito que nossos problemas psicológicos, sejam pontuais ou de personalidade podem começar a ser resolvidos através de boas reflexões, por isso escrevo esse blog.

há uma notável distância entre pensar algo e sentir os efeitos do pensamento. É para transformar as reflexões em sentimentos bons que criei esse canal. Ele será um caminho paralelo aos textos e certamente poderá nos ajudar nos relacionamento, profissão, ,ansiedade, inseguranças e depressão, por exemplo.

Conto com a sugestão de vocês para desenvolver temas úteis e produtivos


A CONQUISTA DE SI MESMO


terça-feira, 29 de março de 2016

Conserve seu medo, para quê?



Quando o gênio Rau Seixas morreu eu estava por completar 14 anos de idade e, ouvir sua filosofia em forma de melodia poética é um dos meus maiores exercícios de reflexão mesmo após quase 30 anos... Estou ilustrando esse artigo com essa música de Raulzito exatamente por isso.

No entanto, o medo NÃO é tão útil quanto possa parecer. O próprio cantor diz: "conserve seu medo mas sempre ficando sem medo de nada!". Como?

O medo nos faz evitar perigos mas, nem tudo que pensamos ser arriscado de fato é e, portanto, deixamos de executar muitas coisas por essa razão. 

Reflitam:

Conserve seu medo de andar de bicicleta e deixe de se divertir, exercitar ou locomover;Conserve seu medo de dirigir e deixe de ir e vir;Conserve seu medo de assalto e deixe de sair para a rua (mantenha seu pânico);

Raul esclarece mais: "ande pra freante olhando pro lado". Agora ele está falando em PRUDÊNCIA. Esta sim nos protege!

Tenha prudência ao andar de bicicleta. Olhe para os lados, respeite as normas de trânsito, sinalize e faça-se visto ao pedalar.Dirija com prudência, respeitando a velocidade adequada, mantendo atenção na via e nos pedestres.Tenha prudência ao sair de casa. Evite lugares escuros e mal frequentados, olhe ao redor e mantenha a atenção no ambiente.

Em outras palavras: mantenha viva a paranóia, dizia Raul.

O medo é uma solução errada para nossa proteção. Costumamos cometer erros desse tipo encontrando soluções erradas para os problemas mas isso fica para a próxima


quinta-feira, 17 de março de 2016

Terapia para perder o medo... (de perder o medo)

Parece um paradoxo mas, existem pessoas que sentem medo de perder o medo!. Não é sobre medo de baratas, aranhas, avião ou qualquer outro que escrevo aqui mas, sobre o mecanismo inconsciente que percebo em parte das  pessoas que me procuram com o objetivo de aliviar medos e fobias

A fim de ilustrar o que acontece, partirei da premissa de que só se pode sentir medo de situações futuras. Não é possível sentir medo do que já aconteceu (passado) ou do que está acontecendo agora (presente) mas, do que pode vir a acontecer (futuro). Quem sente medo de aviões, por exemplo, não sente o tempo todo mas, quando a viagem de férias se aproxima. Nessa alternância entre o presente e o futuro  o inconsciente causa a falsa impressão de que o medo é uma proteção natural e instala o paradoxo.

Funciona assim:
João teme voar e procura terapia com o desejo eliminar o medo (presente)
Percebe que ao perder o medo entrará dentro de um avião  (futuro)
Sua mente entra em conflito porque fará algo (futuro) que sente medo (presente; a terapia ainda não resolveu o problema). João acredita inconscientemente que o medo é uma espécie de proteção e, portanto, é perigoso perde-lo (alternância entre presente e futuro).

Quando o paciente apresenta uma motivação maior que o medo esse problema fica diluído. Além de aumentar a motivação, o terapeuta pode fracionar o medo em pequenas partes e solucionar uma a uma. Da mais simples para a mais complexa, respeitando os recursos de superação que o paciente possui.

As pessoas acreditam que é bom sentir medo porque ele nos protege contra as situações perigosas. Eu digo que medo não é proteção. Explico no próximo. Até lá




segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Será que tenho TOC?

Já repararam que, em grande parte, as manias do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)  são comportamentos úteis e desejáveis? Lavar as mãos, verificar se a porta está trancada ou se o fogão não está aceso. Que mal há nisso? Por que classificar esses comportamentos como manias e diagnosticar o TOC? 

Não vou discorrer sobre as características do transtorno porque isso pode ser encontrado em diversos outros artigos. Também não mencionarei a neuroquímica envolvida porque isso não resolve os problemas daqueles que sofrem com o TOC. O que proponho é uma reflexão que possa servir como direção para pacientes e psicoteapeutas que se vêem diante do transtorno.


Sabe o que é um diagnóstico de comadre? É aquele que as pessoas fazem umas das outras sem critério: “fulano tem depressão”, “sicrano só pode ser bipolar”. Com o TOC não é diferente. As pessoas avaliam a repetição ou a estranheza do comportamento alheio (às vezes o próprio) e “encontram” o TOC. Cuidado com as comadres! Não se deve interpretar os males psíquicos com tal simplicidade. 


Ao invés de analisar as repetições ou atribuir diferentes graus de estranheza aos comportamentos sugiro que se busque compreender a motivação. Entre o normal e o patológico há limites e eles são os motivos. 


O medo é, indiscutivelmente, a maior motivação do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Minha proposta é simples: descubra se o comportamento serve para aliviar alguma forma de medo.


Por medo de ficar doente pode-se lavar as mãos sem necessidade, estar sempre portando algum medicamento ou equipamento de aferição (termômetro, medidor de pressão), esquivar do assento no ônibus ou segurar maçanetas com um lenço para evitar algum contágio.


Há, também, os medos supersticiosos: usar, ou deixar de usar, uma determinada cor no vestuário. Tocar na madeira quando ouve algum tipo de profecia ruim, entre outros rituais.


Para aliviar a tensão causada pelo medo de ficar doente, de morrer, de passar mal, entre outros, o paciente desenvolve os rituais que tranqüilizam. 


Identificar o medo não é tarefa simples. Pessoas somam placas de carro ou fazem cálculos diversos sentem medo de quê? Os rituais aritméticos combatem as tensões porque distraem e tiram o foco do medo não identificado. Isso causa alivio mas, como a ansiedade não foi resolvida, os rituais são repetidos insistentemente. Um psicoterapeuta pode ajudar nesse ponto e propor a intervenção mais adequada caso a caso. 


Enfim, as manias (ou rituais) visam a proteger contra algum medo que pode, ou não, ser identificado pelo paciente. O tratamento, em qualquer linha terapêutica, deve ser direcionado para a solução do medo.


Surge um outro problema: o medo pode ser disfarçado em argumentos plausíveis. “lavo a mão por higiene, claro!  Visto primeiro o pé direito porque dá sorte! Verifico inúmeras vezes se fechei a porta por segurança! Freud chamava esse processo e racionalização. Trata-se de minimizar nossas angústias com argumentos racionais.


E agora? Como diferenciar o medo e a razão? Uma boa auto análise e psicoterapia, obviamente, podem ajudar bastante.


Estamos entrando em outro assunto que em breve escreverei aqui: ‘medo de perder o medo”. Parece contraditório mas, muitas pessoas que procuram terapia para perder medo, receia deixar de sentí-lo.  


Entre o normal e o patológico há um limite sim: a motivação.


Se ela for construtiva = normal

Se for o medo = TOC
  
                                                                                                        
O assunto não se esgota aqui, claro há diversas possibilidades de reflexão. 

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Remédios para a mente: será que preciso disso?


Dias depois de escrever esse texto li interessante reportagem na Folha de S. Paulo, vejam também:

Há muito tempo não via Célia, amiga de infância que os caprichos da vida trataram de afastar. Sua fisionomia aparentava cansaço. Os olhos fundos cravados na pele desbotada do rosto magro denunciavam que não atravessava bons momentos. Enquanto tomávamos café, conversávamos de diversas lembranças alegres do tempo que brincávamos com as outras crianças da rua e até mesmo as desavenças daquele tempo agora passadas a limpo com leveza e saudosismo. A certa altura a mulher comenta que, passava por crise em seu casamento e o medico receitou-lhe antidepressivos mas que ela, por sua própria conta, resolveu abandonar.

- Por que fez isso, Célia? Perguntei-lhe com curiosidade mas com certo grau de aprovação.
A moça, que era professora de  Língua Portuguesa e nutria um saboroso prazer em literatura responde:

- Notei que algo estranho e desagradável estava acontecendo: meus livros perderam sentido. Não havia mais emoções nos romances, ansiedade nos suspenses e nem mesmo humor nas comédias. Algo estava obviamente errado! Fiz minhas ponderações e conclui que os remédios para a mente estavam me privando dos meus sentimentos. Eu estava estressada, principalmente no trabalho mas o médico não fez nenhum diagnóstico. Ele recomendou o remédio e determinou nova consulta em um mês.  Minha mãe, também consultou um psiquiatra que lhe receitou antidepressivos para superar a morte de meu avô, falecido há dois meses mas, não é normal sentir tristeza em situações como essa?
- Os remédios atuam no seu sistema nervoso central para evitar os sentimentos ruins mas, eles não sabem diferenciar com precisão quais sentimentos são esses e acabam "anestesiando" todos, inclusive os que você deseja sentir. Aliás, respondendo sua pergunta, acho normal sentir tristeza com a morte de alguém querido. Na minha opinião seria injusto com seu avô evitar a tristeza.
Disse-lhe ainda:
- Como psicólogo acredito que nossos sentimentos, sejam bons ou ruins, servem para nos ensinar coisas sobre a vida. Tristeza, ansiedade e medo servem para nos apontar obstáculos e nossa tarefa é encontrar formas de superá-los.
-  Eu me sentia  uma vítima da psiquiatria! Fiz bem em jogar os remédios no lixo?
- Cara Célia, seus livros voltaram a trazer emoções?  Conclua você mesma.
Dona Elza, mãe de Célia, resolveu abandonar a caixinha tarja preta, como fez a filha, e  veio consultar-me para superar a viuvez. Está praticamente de alta, aliás, enamorada de um senhor que conheceu na fila do supermercado.
Meses atrás acreditava que sua vida fora enterrada junto com o companheiro falecido e hoje vê novas possibilidades de vida feliz.

Observação: Não é recomendável abandonar os remédios  sem orientação médica como fez Célia. Ela não teve problemas porque seu organismo reagiu bem mas, há pessoas que sofrem abstinência. Um bom  medico saberá distinguir quando a medicação se faz necessária e quando não. Aliás, esse é o título desta postagem.